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MPF processa banco por financiar pecuária em terra indígena de Rondônia

MPF processa Banco do Brasil por financiar pecuária em terra indígena de Rondônia O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública c...

MPF processa banco por financiar pecuária em terra indígena de Rondônia
MPF processa banco por financiar pecuária em terra indígena de Rondônia (Foto: Reprodução)

MPF processa Banco do Brasil por financiar pecuária em terra indígena de Rondônia O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra o Banco do Brasil (BB). A instituição financeira é alvo do processo por conceder crédito para atividades pecuárias dentro da Terra Indígena (TI) Rio Omerê, localizada entre os municípios de Chupinguaia e Corumbiara, em Rondônia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias de RO em tempo real e de graça 🔎A Terra Indígena Rio Omerê abriga os povos Akuntsu e Kanoê, sobreviventes de massacres ocorridos durante a expansão da fronteira agrícola em Rondônia. A investigação começou após uma denúncia técnica do Greenpeace Brasil. A organização utilizou ferramentas de georreferenciamento para identificar que 58,3% de um imóvel rural cadastrado estava sobreposto à terra indígena . Em seguida, o Greenpeace cruzou as coordenadas da propriedade com dados do Banco Central. O levantamento identificou que o Banco do Brasil concedeu mais de R$ 320 mil em crédito rural para o custeio de pecuária no local, em dezembro de 2020 . A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam) confirmou ao MPF que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade foi cancelado em 1º de junho de 2022 justamente pela sobreposição com a TI. Financiamento na Terra Indígena Rio Omerê Reprodução MPF/Sistema Planet GPBR O proprietário do imóvel rural que recebeu o financiamento não é citado na ação do MPF e não figura como réu no processo, que foca exclusivamente na responsabilidade da instituição financeira. O MPF pede que a Justiça Federal condene o banco ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. O valor deve ser destinado a projetos de proteção e fiscalização do território indígena. No processo, o órgão também solicita que o Banco do Brasil seja obrigado a contratar uma auditoria externa independente para avaliar seus sistemas informatizados de controle socioambiental. Segundo o MPF, a auditoria deverá comprovar que os mecanismos de monitoramento geoespacial são capazes de impedir novas concessões de crédito em áreas sobrepostas a terras indígenas em todo o país. LEIA TAMBÉM: PF apreende R$ 2 milhões em dinheiro vivo com dupla escoltada por seguranças armados em Rondônia Homem que invadiu casa de shows atirando por causa de capacete vai a júri popular em RO Ao responder aos questionamentos do MPF durante a fase de apuração, o Banco do Brasil admitiu que seu sistema de verificação geoespacial falhou e não identificou a terra indígena no momento da contratação. Segundo a instituição, embora uma ferramenta de diagnóstico geoespacial estivesse disponível desde 2019, ela não apontou a sobreposição da propriedade com a área indígena. O MPF classifica essa falha como "cegueira deliberada", já que o banco possuía ferramentas tecnológicas para essa verificação e manteve o financiamento ativo mesmo após normas do Banco Central proibirem expressamente o crédito em terras indígenas. Povos indígenas em situação de vulnerabilidade Na ação, o MPF afirma que o Banco do Brasil pode ser responsabilizado como "poluidor indireto", uma vez que forneceu recursos financeiros para uma atividade que contribuiu para a degradação ambiental e social da área. Segundo o órgão, a gravidade do caso é ampliada porque os povos Akuntsu e Kanoê são extremamente vulneráveis. Eles são sobreviventes de massacres ocorridos durante a expansão da fronteira agrícola em Rondônia nas décadas de 1970 e 1980 e tiveram contato oficial com não indígenas registrado apenas em 1995. Apenas sete indígena da etnia Akuntsu sobreviveram aos massacres e disputas de terra. Com o passar dos anos, mortes e acidentes diminuíram o grupo para três. Eles passaram mais de 30 anos sem novos nascimento porque todas as sobreviventes eram mulheres. Para manter viva a linhagem, foi feita a união da um indígena Babawru Akuntsú, de aproximadamente 42 anos, e um indígena do povo Kanoé. Em 8 de dezembro, nasceu o primeiro bebê. Bebê Akuntsú e o pai Divulgação/Funai Segundo o MPF, a Terra Indígena Rio Omerê tinha oito moradores em 2016. Esses povos dependem da caça, da pesca e da coleta para sobreviver, atividades que vêm sendo prejudicadas pela degradação no entorno. O MPF cita que a pressão sobre a TI Rio Omerê é constante. Recentemente, a Funai precisou recorrer à Justiça para suspender uma licença emitida pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam), que autorizava a exploração de mais de 17 mil metros cúbicos de madeira nativa dentro do território demarcado. O que diz o Banco do Brasil Em nota, o Banco do Brasil informou que atua em estrita observância à legislação e às normas aplicáveis ao crédito rural, incluindo as regras do Manual de Crédito Rural (MCR) relacionadas aos impedimentos sociais, ambientais e climáticos para a concessão de financiamentos. A instituição afirmou que ainda não foi citada na ação civil pública proposta pelo MPF e que, após ser formalmente comunicada, apresentará sua manifestação no processo. Segundo o banco, nessa oportunidade demonstrará que os procedimentos adotados seguiram as disposições do MCR e da regulamentação vigente à época dos fatos. O Banco do Brasil também reafirmou o compromisso com a sustentabilidade, a conformidade regulatória, a gestão responsável do crédito e a colaboração com as autoridades competentes, prestando os esclarecimentos necessários pelos canais formais e no âmbito do processo judicial. Reprodução MPF Mário Vilela/Funai